No Brasil muito antes de ser realizado, no México, em 19 de abril de 1940, o Primeiro
congresso Indigenista interamericano formado por autoridades governamentais e de vários
líderes indígenas, onde aí ficou, por causa do encontro, instituído o Dia do índio, aderido pelo
Brasil em 1943 pelo decreto-lei 5540 criado pelo presidente Getúlio Vargas, já se preocupava
com a questão indígena.
A política indigenista no Brasil é datada desde 1910 com a criação do Serviço de proteção ao
Índio (SPI), no Governo de Hermes da Fonseca, em um contexto que ainda predominava as
ideias evolucionistas de tutela ao povo indígena, por considerar os índios incapazes de se
autodeterminarem.
A FUNAI criada em 1967, manteve a ideia de tutela e de integração dos indígenas à sociedade
brasileira reforçando a relação paternalista e intervencionista do estado nas questões
indígenas mantendo-as submissas e dependentes.
A partir dos anos 80 com o processo de redemocratização que culminaria com a constituição
de 1988 a relação Estado povos indígenas muda de viés ideológico extinguindo a figura da
tutela reconhecendo e garantindo o direito de autonomia decorrentes das características
culturais do povo indígena, significou ainda um grande momento na política fundiária indígena
garantindo o processo de demarcação das terras indígenas, visibilizando o usufruto de sus
terras mantendo viva a cultura tradicional indígena.
Em 2009, foi editado o Decreto nº 7056/09, que instituiu um processo de reestruturação do
órgão indigenista. As mudanças tiveram como objetivo a otimização do funcionamento do
órgão, a ruptura com o paradigma assistencialista, e renovação das formas de relação da
Funai com as comunidades indígenas em âmbito local.
O encontro das culturas europeias, africanas e sobretudo indígena é que caracteriza o povo
brasileiro que possui diversos matizes culturais dos primeiros habitantes de nossa terra.
Herdamos na culinária a utilização da mandioca e suas variações. Caju, guaraná, cupuaçu e
açaí, sem falarmos das ervas e chás de plantas medicinais continuam sendo crenças de cura
muito utilizadas, como o chá de boldo, pó de guaraná, a alfavaca e semente de sucupira.
A língua portuguesa falada no Brasil, torna-se diferente do idioma de Portugal, devido a
influência da língua tupi-guarani, de origem da união entre as tribos tupinambá e guarani.
Mesmo tentando coibir essa integração quando o Marques de Pombal, a partir de meados do
século 18, proibiu o uso e o ensino do tupi no Brasil e decretou o português língua oficial, o
nosso português brasileiro ficou distinto do falado na metrópole.
Segundo o filólogo Evanildo Bechara, organizador do Dicionário da Academia Brasileira de
Letras (ABL), é difícil dizer quantas palavras do português são originárias do tupi. “Nos
dicionários, há palavras que não são mais usadas e há algumas até que só têm um uso em
determinada região”, diz.
Além dos nomes de plantas, animais e gastronomia, houve uma grande contribuição do tupi
para os nomes de lugares no Brasil. Topônimos como Iguaçu, Pindamonhangaba, Ipiranga,
Ipanema, Itaipu e Mantiqueira são palavras ou expressões indígenas. Há heranças do tupi
também em verbos, como cutucar, e em expressões populares como estar na pindaíba ou ficar
jururu
A influência cultural indígena em nossas vidas vai de contos a costumes. Na escola, as
crianças aprendem a lenda do Curupira, um habitante da floresta que protegia as plantas e os
animais e tinha os pés com calcanhares para confundir os caçadores. O personagem é uma
ficção do escritor Sérgio Buarque de Holanda, mas lembra a mania dos índios de andar para
trás para confundir os europeus e bandeirantes. Tem também o “Papa-capim”, o menino índio
que vive na Floresta Amazônica, personagem dos quadrinhos de Maurício de Souza. Andar
descalço pela casa e dormir em redes são hábitos herdados dos índios.

Seu falarmos do belo artesanato produzido a partir de fibras, palhas, penas, escamas de
peixes, sementes, plantas e do barro, conhecido em diversas partes do mundo, nasceu das
mãos das índias nos tempos primórdios.
Ou seja, somos que somos graças a uma significativa contribuição dos nossos irmãos
indígenas e esse dia comemorativo existe para refletirmos a importância desses que no falar,
na culinária, na localização e na forma de viver está enraizado no íntimo de cada brasileiro e
para as gerações vindouras compreenderem a nossa identicidade é fundamental garantir a
sobrevivência desta maravilhosa cultura que aquece a nossa brasilidade.

Aulus Augusto

 

Fontes:
http://www.funai.gov.br
http://agenciabrasil.ebc.com.br
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43831319

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