Sempre falei que iria cursar medicina e, diferentemente das minhas amigas, não me questionava sobre como passar no Enem, afinal de contas, minhas notas nas matérias relacionadas à área eram sempre ótimas. Chegando ao ensino médio, porém, levei o primeiro choque de realidade.

Estava acostumada a tirar total nas provas sem dificuldades, mas, agora, o volume de conteúdos a ser aprendido e revisado era muito maior. Também precisei assimilar o fato de que minha maior “pedra no sapato” tinha um peso grande no Enem e poderia acabar com meus planos acadêmicos.

Em vez de combater esse bloqueio desde o primeiro ano no ensino médio, porém, acabei o deixando em segundo plano, adormecido. Meus professores me alertavam, e, claro, meus pais, aflitos, também.

Passar na Federal era minha única chance de cursar medicina, e precisava de um desempenho perfeito em todas as provas para que isso acontecesse. O terceiro ano chegou, e, junto dele, um turbilhão de sentimentos e cobranças.

Hoje, entendo o quanto foi sofrido para meus pais cobrar, apoiar e aconselhar sua filha em um momento tão delicado. Não foi fácil para eles, e agora conto para você como também não foi fácil para mim.

Redação: o nome da (grande) pedra no meu sapato

Sempre amei as matérias e conteúdos relacionados às ciências humanas, da natureza e matemática. Sim, funções quadráticas e logarítmicas nunca me assustaram.

Meu problema mesmo tinha outro nome: redação. A ideia de elaborar um conteúdo com introdução, desenvolvimento e conclusão alinhado com as normas cultas da língua, estilo e em acordo com temas da atualidade me desanimava demais.

Não vou mentir, sempre fui muito objetiva para escrever, até mesmo minhas respostas em outras matérias eram assim. Eu lia o conteúdo estudado, fazia os exercícios, tirava minhas dúvidas com os professores e, no final, tudo aquilo transformava-se em um grande mapa mental, com tópicos, exemplos e imagens. Enquanto meus amigos faziam resumos, eu fazia esquemas!

Com a sombra do Enem me alcançando, comecei a ouvir sobre as cinco competências da escrita, como os avaliadores faziam as correções, analisavam as regras gramaticais e tudo mais. Literalmente, entrei em pânico e tive pesadelos.

Desvio de rota: alternativas para saber como passar no Enem

Ninguém pode dizer que eu não tentei me envolver. Duas vizinhas que também iam fazer o Enem daquele ano se inscreveram em uma sala de redação especializada para o exame, e, para resolver meu bloqueio, tentei ir junto. Mas não me adaptei.

Também comecei a buscar aulas no YouTube e me agarrei aos livros de gramática. Ela não era meu problema, e sim a criatividade, a capacidade de desenvolver uma ideia de forma lógica.

Jornais, revistas, livros e até podcasts com temáticas políticas e sociais também entraram mais firmemente na minha rotina, o que eu acho que ajudou a melhorar o repertório e meus posicionamentos sobre as atualidades. Mas ainda faltava a habilidade de passar tudo isso para o papel. 

Com minha ansiedade crescendo, via que os dias estavam passando e não percebia nenhuma evolução na minha escrita. Isso me chateava tanto, que comecei a considerar a possibilidade de trocar para um curso com uma nota de corte mais baixa.

O conflito era muito grande dentro de mim, e, com a chegada das primeiras provas do terceiro ano, meu desempenho foi bem abaixo do padrão. Eu estava me dedicando aos estudos, mas não estava conseguindo me concentrar por causa da preocupação.

No final das contas, preferia passar as horas em casa ou nos intervalos das aulas me distraindo com meus jogos e revirando as redes sociais sob o pretexto de que aquilo iria me relaxar e solucionar meu bloqueio criativo.

Uma memória para inspirar: professores que marcam nossas vidas

E foi assim, um pouco antes de começar as aulas da segunda-feira, que um dos professores do Colégio Arnaldo disse ter me visto a caminho da escola. Jogando no tablet enquanto andava pela rua.

Esse professor, aliás, era muito querido pela galera. Lembro exatamente do primeiro dia de aula no terceiro ano, em que, quando ele chegou à sala, olhou para cada um de nós e disse:

— Vou olhar para cada um de vocês agora. Esses rostinhos bonitos e descansados vão mudar as feições algumas vezes durante este ano. Ficarão tensos, melancólicos, felizes, com o olhar distante. Depois de alguns meses, olheiras entregarão que as madrugadas foram mais e mais longas, ora pelos estudos, ora pelas baladas, afinal de contas, ninguém é de ferro!

Depois de uma gargalhada geral da turma, ele continuou:

— Mas quero olhar bem para vocês dessa maneira, porque, no final do ano, gostaria de vê-los novamente assim, só que aliviados e certos de que ganharam um dos melhores presentes da vida. E não falo da aprovação, se é o que vocês estão pensando, mas sim de que curtiram esse caminho e superaram cada um de seus desafios pessoais.

A sala fez um silêncio, e, então, ele finalizou soltando uma gargalhada alta:

— E podem ter certeza, se eu vir algum de vocês perdidos nesse caminho ou dormindo na minha aula, serei o primeiro a chacoalhar!

Nesse dia em que nos encontramos na rua, ele me parou e perguntou se todo aquele interesse no tablet era por causa do Redação Nota Mil, e, quando respondi que era um jogo em que eu estava quase atingindo a pontuação máxima, ele disse:

— Nesse jogo aí, não sei aonde você pode chegar, mas, no Redação Nota Mil, eu tenho certeza.

Pedras no caminho? Guarde todas para construir seu sucesso

Sabe aqueles momentos rápidos que, quando você lembra, parece que duraram uma eternidade? Esse dia foi assim, e acho que isso acontece porque são situações que mudam nossa trajetória.

Naquela mesma hora, corri à secretaria do colégio, pedi para atualizarem minha senha no Redação Nota Mil e mergulhei na plataforma. Me envolvi com as atividades e exercícios. Pelo calendário do sistema, eu estava um pouco atrasada, mas nada que não pudesse alcançar.

O que mais gostei foi que, a cada exercício ou redação que fazia de acordo com o que era proposto, recebia um retorno claro e estruturado de como poderia melhorar.

Entender como funcionava a correção me ajudou bastante, e, realmente, depois de 10 exercícios de produção de texto, melhorei minhas notas em mais de 250 pontos, estatística que ficava estampada na Plataforma Redação Nota Mil e que eu duvidava que conseguiria conquistar algum dia.

Um degrau de cada vez: a escada que eu quero subir

Se a redação era uma pedra no meu caminho, certamente tornou-se parte do meu primeiro degrau na escalada até me tornar Dra. Bianca. No dia do Enem, quando comecei meu texto, novamente o tempo parou: nem o menor barulho da sala me alcançou, nem meus temores, ansiedade, nada.

Parecia que eu havia entrado por poucos segundos em um ambiente acusticamente isolado e depois, rapidamente, voltado à realidade. Nesse momento, me deu um alívio tão grande, que comecei a escrever sorrindo.

Hoje, quem diria, escolhi a escrita para contar toda essa experiência. Para agradecer aos professores que me ajudaram e à Redação Nota Mil, que, junto deles, me ajudou a enfrentar as pedras no caminho e transformá-las em ferramentas para minha subida.

Mas, em especial, queria escrever ao querido mestre, com carinho — e sem clichês, que ele estava certo: eu realmente curti todo o trajeto até me tornar uma aluna da UFMG, e superar cada desafio foi mais que especial, foi um presente, pois, hoje, posso dizer que amo me expressar assim.

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