Embora muitos de nós tivéssemos consciência da necessidade de uma mudança na forma de nos relacionarmos, seja com os outros, com o Planeta (nossa Casa Comum) ou até mesmo conosco, pouco fizemos para a implementação dessa mudança. E, quase que de surpresa, fomos obrigados a nos recolher em nossas casas, com nossas famílias. Em outras palavras, quase que da noite para o dia, fomos obrigados a conviver mais de perto com os nossos.

A convivência familiar, em tempos de quarentena, trouxe para muitas pessoas a possibilidade de responder, em partes, a um pedido, que, muitas vezes, é feito por filhos ou mesmo parceiros, ter mais tempo juntos. Porém, por outro lado, essa convivência despertou algumas fragilidades e situações nas quais o perdão se faz necessário.

Para muitos de nós, organizar as rotinas em casa, durante o isolamento, tem sido um desafio imenso. Da mesma forma, praticar o perdão, neste momento convivência intensa, é tão necessário quanto desafiador.

Aqui, vale recordar a experiência de Jesus com seus discípulos. Na oração do Pai Nosso, Jesus ensinou os seus a pedirem, da mesma maneira que pedem o pão no cotidiano, o perdão dos pecados: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos”. (Mt 6,12)

O Papa Francisco, comentando esse versículo do Pai Nosso, em uma audiência geral, nos recorda que “A relação de benevolência vertical, por parte de Deus, desvia-se e é chamada a traduzir-se numa relação nova que vivemos com os nossos irmãos: uma relação horizontal. O Deus bom convida-nos a sermos todos bondosos. As duas partes da invocação ligam-se com uma conjunção impiedosa: pedimos ao Senhor que perdoe os nossos pecados, as nossas faltas, “como” nós perdoamos os nossos amigos, as pessoas que vivem conosco, os nossos vizinhos e quem nos fez alguma coisa desagradável.”

Assim, em tempos de isolamento social, tempos de reinvenção das práticas, é também tempo para a  oportunidade do cultivo do perdão bondoso. Capaz de nos fazer olhar para o outro com olhos amorosos. Cultivar o perdão em nossas relações é cultivar o cuidado, não apenas com o outro, mas conosco.

Texto de Renato Pimenta, agente do Serviço de Educação Religiosa do Colégio Arnaldo.

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