INSPIRADOS, OS ESTUDANTES PRODUZIRAM REDAÇÕES QUE MARCARAM O SUCESSO NO ENEM 2018

Neste ano de 2019, o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio fará seu vigésimo aniversário. Como em uma grande festa, muitos jovens foram convidados a participar, mas, nem todos receberam o grande presente: Entrar para a Universidade, conseguir o curso sonhado a partir da nota do ENEM. Para aqueles que conseguiram, um marco na conquista de uma carreira profissional promissora! Esse é o sonho da maioria dos estudantes brasileiros.

Desde o início, mesmo ainda funcionando de forma voluntária, o ENEM cobrava como bilhete de acesso, o domínio das competências pelos estudantes. Hoje, passados 20 anos, tornou-se a principal porta de entrada do Ensino Superior nas instituições públicas e privadas.

Da intenção inicial de avaliar a qualidade da Educação Básica, o exame ganhou maior dimensão e, hoje, compõe o calendário oficial na vida das instituições e das famílias brasileiras.

Junto com essa mudança, veio também um maior nível de exigência na mensuração das competências/habilidades nomeadas para cada macro área, de uma lógica de acerto analisada a partir da TRI – Teoria de Resposta ao Item. Mas, o maior desafio permanece com a exigência do domínio da habilidade de estabelecer conexões entre a teoria e a prática, no desafio de redigir um texto dissertativo – argumentativo.

Na rede de ensino mantida pela Congregação do Verbo Divino, os estudantes estão levando a sério esse desafio. Têm crescido o desempenho dos alunos de modo geral e, na Redação do último ENEM, duas unidades de sobressaíram. Estamos destacando, entre todos os exemplos de boas práticas em Redação, o trabalho realizado pelo professor Francisco Brugnara de Souza Lima (Colégio Arnaldo Anchieta/BH – MG) e a professora Ana Malfacini (Colégio Verbo Divino/Barra Mansa – RJ).

O Colégio Arnaldo Anchieta, com já reconhecido trabalho pedagógico na região, comprova também um excelente resultado no desempenho acadêmico entre as unidades de ensino da Rede. Dessa vez, o destaque maior ficou pelo desempenho dos estudantes na redação do ENEM 2018.

Sabemos que os resultados representam o trabalho de todos que acompanharam esses estudantes na caminhada pedagógica dos anos anteriores e da equipe atual que, competentemente, alinhavou as grandes áreas de conhecimento dando base de sustentação para o trabalho de autoria desenvolvido nas redações.

Parabéns a todos os envolvidos nesse trabalho! Parabéns aos competentes estudantes/escritores que marcaram a história desse colégio com tamanha dedicação e esforço!

COMO SE EXPLICA O SUCESSO DO DESEMPENHO DOS ESTUDANTES NA REDAÇÃO ENEM 2018?

“Redação não exige inspiração, e sim transpiração! ” (Prof. Francisco)

Os estudantes do Colégio Arnaldo Anchieta abraçaram o desafio e, em parceria com uma equipe competente de professores, se destacaram na Rede de Ensino Verbita, apresentando um resultado muito bom na Redação ENEM/2018.

Tendo à frente o professor Francisco, que orquestrou os esforços dos estudantes, para 2019 a previsão é bater a meta anterior, colocar foco, estudar e vencer desafios.

No que depender da disposição e competência dos professores, estamos todos muito bem! Em entrevista à equipe educacional da mantenedora, o Professor Francisco Brugnara de Souza Lima, responsável pela Disciplina Redação, descreve com competência os caminhos trilhados nessa condução dos alunos. Acompanhe esse diálogo saboroso sobre uma árdua tarefa.

Mantenedora:

Professor, no ENEM 2018, o que mudou na proposta para a Redação?

Prof. Francisco:

Da preparação para a redação do Enem 2018, o que trabalhamos de forma inédita foi o aprofundamento dos recortes temáticos e utilização de hipônimos e hiperônimos para as retomadas de cada eixo. Dessa forma, para além de conquistar uma boa pontuação na competência 4 garantiríamos o alcance total do tema, ou seja, sem perigos de fuga ou tangência temática, indicadores de só aumentam desde a versão de 2015 do Exame.

Na sequência, o professor ainda ampliou a reflexão sobre a proposta do tema,

O título “manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet” seguiu o padrão de 3(três) recortes de tema, no entanto estávamos familiarizados com o último recorte (contexto), apresentando-se como contexto nacional; Brasil ou sociedade brasileira. Em suma, traçava-se esse recorte como sendo “o cenário nacional”, e no título temático de 2018 esse contexto passou a ser mais genérico, mais abrangente: “internet”. Essa mudança fez com que os alunos testassem as habilidades de construção e desconstrução dessas micro divisões e, sobretudo, a colocação adequada dos recursos de retomada.

Estruturação lógica e formal entre as partes da redação. A organização textual exige que as frases e os parágrafos estabeleçam entre si uma relação que garanta a sequenciação coerente do texto e a interdependência das ideias.

E quanto às habilidades avaliadas na Redação?

Prof. Francisco:

São 5(cinco) as habilidades avaliadas no processo produtivo deste tipo de redação: demonstrar domínio da norma padrão, ou seja, modalidade escrita da nossa língua; adequar-se ao tema e ao padrão de gênero proposto; utilizar repertório sociocultural que se articule com a defesa da tese; utilizar mecanismos linguísticos condizentes com a construção da linha argumentativa e elaborar propostas de solução para os problemas abordados que respeitem os direitos humanos.

Mantenedora:

E como fugir de uma nota zero?

Prof. Francisco:

Dos critérios que zeram a redação do Enem, é válido salientar não só a “fuga ao tema”, como também a “fuga ao gênero”, dois prismas que são avaliados e apenados na competência 2. A fuga ao tema consiste em o candidato não atender o assunto proposto em nenhum dos seus recortes, ou seja, em nenhuma micro divisões. Por isso, é muito importante compreender a proposta e perfilar um esquema de ideias que aborde, dentro daquele tema, todas as possibilidades argumentativas e que constituem aquele título argumentativo. A fuga ao gênero consiste em o candidato não atender ao padrão de gênero proposto pelo Exame, ou seja, é preciso conhecer as especificidades dessa tipologia textual e construir uma produção que atenda às obrigatoriedades do texto do Enem.

Mantenedora:

O tipo textual exigido na redação do ENEM é o dissertativo-argumentativo. Para além da técnica, o que é importante fazer parte na preparação do estudante para o ENEM ou, ampliando essa ação educativa, da vida do estudante?

Prof. Francisco:

Para além da proficiência na construção do texto e dos conhecimentos plenos do comando do Exame, é preciso sempre estar atento ao repertório sociocultural que nos é imposto cotidianamente. A pesquisa de dados estatísticos; leitura e análise de obras literárias e estudo de teorias da filosofia e sociologia são, inegavelmente, alicerces das áreas do conhecimento exigidas e aplicadas no texto do Enem. Todavia, assistir ao noticiário, série ou filme; acompanhar “posts” e páginas de redes sociais; ouvir músicas, “slans” e outras produções culturais, também contribui para a formação desse repertório sociocultural que deve ser apresentado na redação. É importante lembrar que tudo deve ser analisado de forma de crítica e muitíssimo bem alinhado à construção argumentativa do texto.

Mantenedora: Um excelente resultado na Redação ENEM está relacionado a uma prática intensiva? O que você recomenda?

Prof. Francisco:

Definitivamente “redação não exige inspiração, e sim transpiração! ” Para conseguir alcançar um bom rendimento na prova dissertativa do Enem é necessário treino. Praticar a escrita e a reescrita. Identificar as inadequações; ter acesso a textos diferentes; procurar diferentes correções e pontos de vista… esgotar o texto! Com toda certeza se existe a “receita de bolo” para o texto do Enem, é essa!

“…E assim como o leitor do Harry Potter faz um pacto com a voz literária e não contesta as magias descritas no livro; na nossa relação com o ENEM também há um pacto…” (Prof. Francisco)

Mantenedora:

Com os novos meios de comunicação, as situações comunicativas elucidam uma diversidade de linguagens que deixam suas marcas na escrita.

Como você lida com o desafio de trabalhar com essa geração, a exigência de um texto com uma linguagem que traduza um domínio da Língua Portuguesa e um amplo repertório de palavras?

Prof. Francisco:

Em primeiro plano é preciso praticar a empatia. Reconhecer que a linguagem está em constante mutação e que essa geração apresenta seleções lexicais e sintáticas diferentes. Nessa perspectiva, tento apresentar um esquema vocabular ideal para a construção do texto procurando evidenciar todas as cargas significativas possíveis para cada articulador e conectivo. Em longo prazo, o próprio aluno faz um pacto com aquele novo universo e apresenta uma nova seleção vocabular que mais lhe agrada e que condiz com a proposta, dessa vez com marcas de autoria e personalidade! Em segundo plano é importante ressaltar aos estudantes, a todo tempo, que a linguagem deve se flexionar em função de algumas variáveis. A mais determinante delas é o contexto, e nesse contexto de vestibular a modalidade e o padrão de linguagem seguido é específico. E assim como o leitor do Harry Potter faz um pacto com a voz literária e não contesta as magias descritas no livro; na nossa relação também há um pacto: podemos discutir os temas, conversar e estudar a estrutura textual com aquele tipo mais confortável de linguagem, quando partimos para o processo de fabricação do texto, transitamos para aquela outra forma, a mais adequada para o Enem.

Mantenedora:

Que leitura você, professor, faz do bom desempenho na redação? É possível associá-lo às competências gerais da BNCC e ao engajamento social desse jovem?

Prof. Francisco:

Aprendi que o bom desempenho na redação está muito mais ligado à consciência política, social e cultural de seu produtor do que simplesmente ao domínio da gramática tradicional. Isso acontece porque os problemas linguísticos são mais facilmente contornáveis que os problemas de repertório. Trocando em miúdos: consigo fazer o aluno escrever mais adequadamente, mas não posso fazê-lo mudar seu ponto de vista. Mesmo com os estudos de temas; críticas e análises aprofundadas, cabe ao estudante alicerçar sua tese. Fornecemos as possibilidades e ele defenderá aquela com a qual ele consegue compactuar, aquela que mais o seduz, aquela com qual ele mais tem afinidade. Acredito que a relação com as competências e habilidades na BNCC se dá de forma direta, pois o bom desempenho da redação perpassa esse conjunto de aprendizagens essenciais, desde a “colaboração social” (primeira competência da BNCC), até influir nas tomadas de decisões éticas, inclusivas, solidárias, sustentáveis e principalmente democráticas, conforme a Base defende.

Mantenedora:

E por fim, o que deu certo no processo de preparação dos estudantes para a Redação/ ENEM 2018?

Prof. Francisco:

Conseguimos sucesso de duas formas diferentes: a priori, na desconstrução de estigmas sociais. Uma aula de redação mais conscientizadora e reflexiva. Um investimento de formação humanitária mesmo… A posteriori, na construção da aprendizagem especializada. Bom aproveitamento e rendimento no Exame. Notas, majoritariamente, na casa dos 900. 

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